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Barbalhenses denunciam menos por falta de Delegacia da Mulher

Ausência de espaços especializados desencoraja mulheres a apontar seus agressores, segundo integrantes de movimentos de combate à violência (Foto: Reprodução)

Em 22/05/2018 às 10:49

A região do Cariri concentra parcela considerável da violência contra mulheres no Ceará. Por outro lado, é celeiro de movimentos de prevenção. Nos últimos dois anos, mais de 3,2 mil casos de agressões contra mulheres foram registrados em Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha, segundo dados do Observatório da Violência no Cariri.

Durante esse período, Crato registrou 14 notificações para cada grupo de mil mulheres. Em Juazeiro foram 10 para mil e Barbalha registrou apenas dois casos para cada mil barbalhenses. A disparidade, na opinião da coordenadora do observatório e de membros do movimento sociais, se deve à ausência de equipamentos exclusivos para mulheres.

“Provavelmente, o número maior da taxa de notificações em Crato seja uma conseqüência de um empoderamento maior das mulheres no Município e de uma melhor organização dos serviços”, avalia a professora Grayce Albuquerque, coordenadora do observatório. “Em contrapartida, Barbalha tem uma taxa inferior, comparada aos outros municípios, porque lá não tem um Centro de Referência e delegacia especializada. Então, pode ser que as mulheres sintam essa dificuldade de encontrar um órgão para realizar a denúncia”.

Opinião semelhante tem a delegada Kamila Brito, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Crato. “Se for para uma delegacia normal, talvez elas tenham a vergonha de falar com um policial homem. Já aqui, nós temos escrivãs mulheres, o que torna mais fácil contar uma agressão para outra mulher do que, às vezes, para um homem”, analisa.

Para a professora Verônica Isidório, integrante de movimentos sociais em Crato, uma delegacia focada exclusivamente para mulheres possibilita maior segurança e sensação de acolhimento. Igualmente, elevaria o número de denúncias contra agressores com o objetivo de coibir tais atos. “Você saber que o seu agressor é um homem e que, quando você chegar lá na delegacia você vai ser atendido por outro homem, isso gera um constrangimento e um desencorajamento enorme”, considera.

Entre as ações específicas dessas delegacias, estão a preferência por profissionais do sexo feminino para atuar nelas, o amparo direto na Lei Maria da Penha, que possibilita uma agilidade de ações como medidas protetivas e o acompanhamento às vítimas.

“Não só as delegacias, mas toda uma rede de equipamentos que atendam mulheres em situação de violência, é um mecanismo para dar um basta na violência”, diz Verônica. “Temos esperança de que esses espaços, como delegacias, Defensoria Pública e Centros de Referência da Mulher, funcionem de forma sincronizada e a contento, e que os homens tenham consciência e parem de violentar suas companheiras”, finaliza.

Fonte: Jornal do Cariri

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