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Coberturas vacinais do Ceará são as mais altas do Brasil

A boa cobertura vacinal nos primeiros meses de vida é fundamental para assegurar a proteção (Foto: Reprodução)

Em 21/06/2018 às 08:50

O Brasil, assim como outros países no mundo, vivencia, nos últimos anos, a queda das coberturas de vacinas em todas as faixas etárias, tendência que coloca em risco a proteção contra doenças graves, passíveis de prevenção. Nesse cenário, o Ceará tem ido na contramão. Segundo dados preliminares do Programa Nacional de Imunização (PNI), em 2017, enquanto grande parte das unidades da federação não atingiu o número esperado de vacinas referentes ao calendário infantil, o Estado ultrapassou a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde de imunizar 95% do público-alvo, e alcançou as coberturas mais altas do País.

As estatísticas dizem respeito às imunizações contra tuberculose, rotavírus, meningite, poliomielite, pneumonia, sarampo, rubéola, caxumba, difteria, tétano, coqueluche e hepatite B. Elas fazem parte da lista de vacinas voltadas para crianças de até um ano. No ano passado, todas tiveram cobertura superior a 100% no Ceará. Com exceção da vacina BCG (tuberculose), o Estado obteve os maiores percentuais de imunização no Brasil. No caso da BCG, a cobertura vacinal do Ceará foi menor que as dos estados de Roraima (113,95%), Rio de Janeiro (112,38) e Alagoas (106,9).

Para o infectologista pediátrico Robério Leite, do Hospital São José, o surto de sarampo observado entre os anos de 2013 e 2015 no Ceará, quando 916 casos da doença foram confirmados, alertou para a necessidade de intensificar a vacinação em geral no Estado. A medida se refletiu nas altas coberturas registradas de lá para cá.

Proteção

“Com o surto, todo mundo se assustou, percebeu várias lacunas e viu que não estava havendo uma vacinação adequada. Foi um alerta, porque o sarampo é um sensor de baixa cobertura. Ele aparece primeiro, depois vêm os outros problemas”, afirma o especialista.

Segundo Robério Leite, diante da reemergência e da dificuldade de controle de doenças infecciosas graves em algumas partes do mundo (como o sarampo em países europeus e africanos, e a poliomielite na Venezuela), atingir as taxas esperadas de imunização garante maior proteção ao Estado contra casos importados. “Quando se tem uma boa cobertura, existe o efeito rebanho. Ainda que algumas pessoas estejam suscetíveis, porque não puderam tomar a vacina ou perderam a oportunidade, se no entorno a população estiver vacinada, mesmo que a doença chegue na comunidade, a cadeia de transmissão não se completa”, explica o infectologista.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, destaca o bom desempenho do Estado em vacinações importantes, mas ressalta que os números do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunização devem ser analisados com cautela.

Ressalvas

“Nos últimos anos, o Ministério da Saúde vem implantando um sistema informatizado de registro de doses aplicadas. Alguns estados estão mais adiantados e lançam o número de vacinas com mais rapidez, outros demoram mais”, observa Renato Kfouri. “Há uma imprecisão nesses dados, porque pode haver diferenças entre as regiões, e isso seria explicado em função da qualidade do registro”, completa o vice-presidente da SBIm.

Apesar da ressalva, Kfouri afirma que o Ceará se encontra em posição favorável diante dos demais estados e também atribui os resultados ao alerta gerado pelo recente surto de sarampo. “Houve buscas ativas e vacinação casa a casa, então é esperado um reflexo nessas coberturas. Isso traz resultados de longo prazo. Os profissionais de saúde ficam mais atentos, as notificações acabam sendo mais rigorosas e a vacinação também”, acrescenta o especialista.

Desafios

A boa cobertura vacinal em crianças nos primeiros meses de vida é fundamental para assegurar a proteção, uma vez que faixas etárias mais baixas estão mais vulneráveis a contrair as infecções. No entanto, mesmo com altas taxas de vacinação entre o público infantil, ainda há o desafio de dar continuidade à imunização entre adolescentes, adultos e idosos.

“As vacinas são vítimas do próprio sucesso. Ela consegue eliminar várias doenças e diminuir muito a incidência de outras, então as pessoas acabam esquecendo, e vai ficando a sensação de desaparecimento, de que não vale a pena, o que é errado”, diz Robério Leite.

Renato Kfouri salienta, ainda, que há fatores culturais envolvidos nas quedas de cobertura em faixas etárias mais avançadas. “Existe a ideia de que vacina é coisa de criança. Na verdade, elas foram desenvolvidas para doenças infantis, mas logo se percebeu que podiam ser úteis em todas as idades. Tem a gripe no idoso, as doenças na adolescência, na gestante, no viajante, naquele que tem doença crônica. Mas a população ainda não tem consciência de que adultos também precisam se vacinar e ter uma caderneta, por exemplo”, frisa o vice-presidente da SBIm.

Fonte: Diário do Nordeste

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