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Com 124 prédios fechados, rua São Pedro não atrai mais comerciantes e aluguéis provocam debandada

Em alguns trechos há até nove prédios fechados (Foto: Normando Sóracles/Agência Miséria)

Em 14/03/2018 às 08:04:33

Principal rua do comércio no centro de Juazeiro do Norte, a Rua São Pedro mantém 124 pontos comerciais de portas fechadas. Sonho dos comerciantes no passado, hoje a via não atrai mais os negócios e o preço dos alugueis, mesmo em baixa, não se tornam atrativos. 

Uma breve passagem pela São Pedro em horário comercial, e é possível ver diversos estabelecimentos com a placa de “aluga-se” na porta. O trecho onde a “desertificação” se torna mais acentuada fica antes do cruzamento com a linha férrea. Alguns quarteirões somam até nove estabelecimentos inativos. 

Mantendo uma ótica há pelo menos 13 anos, José Martiniano Alencar conta que não vê melhoras nas vendas. O lojista tem 11 funcionários distribuídos em três lojas, e conta ter certa dificuldade para honrar a folha de pagamento ao final do mês. “O valor dos aluguéis são hoje a minha grande preocupação”. 

Assim como ele, a empresária Anete de Alencar, dona de uma loja de artigos de variedades, também precisou se adaptar à nova realidade. Assim como o dela, há diversos outros estabelecimentos do mesmo ramo, vendendo as mesmas mercadorias e alguns na mesma quadra. “Os chineses vieram e tomaram de conta”, diz. 

Ela se refere aos comerciantes que há pelo menos quatros anos se instalaram em Juazeiro do Norte. Vindos da China, Coreia e Japão, os empresários do oriente injetaram capital em mercadoria importada, acuando o poder de venda de comerciantes do mesmo ramo já estabelecidos na São Pedro. 

Um empresário no ramo de confecções e peças íntimas lembou que, no passado, era preciso adquirir uma “chave” para se instalar na São Pedro. Na prática, tratava-se de uma licença que deveria ser paga para que o comerciante pudesse usufruir do direito de comercializar ali.

DEMISSÕES NO COMÉRCIO

Apesar de ser o principal centro de comércio popular entre os municípios do Cariri, o setor em Juazeiro do Norte teve em 2018 o pior mês de janeiro dos últimos 11 anos. O levantamento foi feito pelo Miséria junto ao Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) nesta segunda-feira, 12. 

O órgão aponta saldo negativo de 149 empregos com carteira assinada em janeiro. O índice é o pior da última década, comparável apenas com 2015, quando 148 cargos foram fechados no primeiro mês do ano. O CAGED não fornece os números anteriores a 2007. 

Ainda segundo o órgão ligado ao Ministério do Trabalho, em Juazeiro havia pelo menos 13.050 pessoas trabalhando formalmente no Comércio em janeiro. Estas vagas se dividem em 3.699 estabelecimentos.

Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

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