quarta-feira , 17 outubro 2018
Home / Mundo / Conservador Mario Abdo Benítez é o novo presidente do Paraguai

Conservador Mario Abdo Benítez é o novo presidente do Paraguai

© Reuters/Mario Valdes

Em 22/04/2018 às 23:39:08

ex-senador Mario Abdo Benítez, 46, do Partido Colorado (direita), venceu as eleições presidenciais no Paraguai neste domingo (22).Homônimo de seu pai, braço direito do ditador Alfredo Stroessner (1912-2006), ele tinha 46,5% dos votos com 96% das urnas apuradas, contra 42,7% de Efraín Alegre, 55, do Partido Liberal (centro), que fez aliança com a Frente Guasú (esquerda), do ex-presidente Fernando Lugo.

Por volta das 22h10 (horário de Brasília), o Tribunal Superior da Justiça Eleitoral declarou a disputa presidencial irreversível. Está previsto que o candidato, que acompanhava a apuração na sede do Partido Colorado, em Assunção, se pronuncie ainda neste domingo.

Segundo a Justiça Eleitoral, o comparecimento na eleição foi de 64%, quatro pontos acima do registrado em 2013, quando o atual presidente, Horacio Cartes, venceu Alegre. Cerca de 4,2 milhões de paraguaios estavam aptos a votar, incluindo cerca de 300 mil cadastrados em EUA, Espanha, Argentina e Brasil. Com a confirmação da vitória, os colorados manterão a hegemonia no país – a sigla só ficou de fora do poder em cinco dos últimos 70 anos.

O candidato defendeu a continuidade das políticas econômicas do presidente Horacio Cartes, junto com uma agenda conservadora alinhada com seu movimento, o Colorado Añetete (verdadeiro, em guarani). Propôs o serviço militar obrigatório para filhos de mães solteiras como forma de diminuir a insegurança e o consumo de drogas e se colocou contra a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em um país com 96% da população cristã.

Porém, amenizou o discurso sobre corrupção para não atingir Cartes e outros colorados envolvidos em processos. No campo da campanha, priorizou os discursos em vídeos sociais em vez de entrevistas e debates, para as críticas de Alegre, que se expunha mais aos jornalistas.

O liberal também teve propostas mais concretas, como a redução da tarifa de energia e a construção de infraestrutura para usar a parte vendida a Brasil e Argentina das usinas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá; a saúde pública gratuita e o imposto sobre o tabaco. Salvo as propostas mais polêmicas, o colorado teve um programa de governo menos detalhado em todas as áreas.

Sobre política externa, só pronunciou-se neste domingo, com as perguntas dos jornalistas internacionais no café da manhã antes da votação.Ele disse que priorizará a abertura do Mercosul a outros países do mundo.

“O Mercosul tem um potencial ainda não desenvolvido à profundidade que eu gostaria. Nós vamos continuar aprofundando os laços com os países do bloco e abrirmos ao mundo.” Também prestou solidariedade aos venezuelanos pela crise e disse que continuará com o tom crítico da administração de Cartes contra o regime de Nicolás Maduro.

“Sempre fui crítico à condução política da Venezuela. Minha solidariedade com esse grande povo, que em um momento foi o farol democrático da América Latina e que tem que recuperar seu caminho democrático.” 

Marito tinha a seu favor a capacidade de mobilização do Partido Colorado, que lhe rendeu comícios com milhares de pessoas, e o apoio do empresariado, a começar pela família do presidente, maior produtora de tabaco do país. Também contou a seu favor a ligação de Efraín com a Frente Guasú, embora o liberal tenha tentado diminuir a influência dos esquerdistas em temas como as políticas econômica e externa, o que aproximou as propostas dos dois lados.

Segundo a Justiça Eleitoral, o comparecimento na eleição foi de 64%, quatro pontos superior ao registrado em 2013, quando Cartes venceu Alegre. Cerca de 4,2 milhões de paraguaios estavam aptos a votar, incluindo cerca de 300 mil cadastrados em EUA, Espanha, Argentina e Brasil.

PERFIL

Marito nasceu em 10 de novembro de 1971, na época em que o pai trabalhava para Stroessner. Estudou a infância e a adolescência no Colégio San Andrés, um dos melhores de Assunção. Em 1999, último ano da ditadura, uniu-se às Forças Armadas, tornando-se paraquedista. Empresário do setor asfáltico, aderiu à política em 2005. Tornou-se vice-presidente do Partido Colorado e, sete anos depois, elegeu-se senador.

Foi presidente do Congresso entre 2015 e 2016, ao mesmo tempo em que fomentava seu projeto de buscar a Presidência. Na campanha, preferiu omitir a defesa aberta da ditadura que marcou sua carreira. Reiterava que defendia um regime democrático e se irritava com menções ao assunto, como a feita por um jornalista antes de votar. “Crítica ridícula”, disse, cortando a pergunta. Apesar da mudança de posição, ele manteve um ritual. Logo depois de votar foi com a família visitar o mausoléu do pai, como fez em todas suas campanhas por diferentes cargos.

DESAFIOS

O próximo presidente do Paraguai assumirá em 15 de agosto um país com a economia crescendo cerca de 4% por ano, mas sem reduzir a pobreza e a desigualdade, e um tenso ambiente político. Em quase cinco anos de governo, Horacio Cartes usou o lado negociante para atrair investimentos e compradores para a soja e a carne, principais produtos agropecuários paraguaios. O resultado foi a manutenção do crescimento econômico apesar da crise financeira na Argentina e no Brasil, dos quais se tornou menos dependente.

Com as chegadas de Mauricio Macri e Michel Temer ao poder, pôde retomar as negociações de acordos no âmbito do Mercosul. O país aumentou as importações e incentivou o consumo ao facilitar o crédito para a compra de veículos, eletrônicos e eletrodomésticos.O boom econômico, porém, evidenciou os problemas da infraestrutura. As construções de vias rurais e urbanas e linhas de transmissão e energia não foram suficientes para evitar os engarrafamentos nas estradas, em sua maioria de pista simples, e os apagões.

Outra dívida que Cartes deixa é em relação a sua maior promessa em 2013, a redução da pobreza. Apesar da facilidade de crédito e da redução do deficit habitacional, a parcela de pessoas abaixo da linha caiu 1,6 ponto percentual de 2013 a 2017, passando de 28% para 26,4% da população. Ele mesmo reconheceu o descumprimento da promessa ao votar neste domingo em Assunção.

“Não pudemos reduzir a pobreza, apesar da riqueza que temos no país. Sempre há dívidas sociais.” Cartes renunciará ao cargo em 1º de julho para assumir uma vaga no Senado. Com informações da Folhapress.

 POR FOLHAPRESS

Compartilhar

Veja Também

Trump acusa Brasil de tratar empresas americanas injustamente

Em 01/10/2018 às 17:23 O presidente americano, Donald Trump, acusou, nesta segunda-feira (1º), o Brasil de ser ...

Deixe uma resposta