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Geddel diz à PF que ‘não faria sentido’ receber dinheiro de Padilha em 2014, porque não apoiava a chapa Dilma-Temer

O ex-ministro Geddel Vieira Lima (Foto: Reprodução/TV Globo)

Em 17/05/2018 às 16:07

O ex-ministro Geddel Vieira Lima disse, em depoimento à Polícia Federal, que “não faria sentido” o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) abastecer financeiramente a sua campanha ao Senado pela Bahia em 2014. Geddel alega que era oposição à chapa Dilma Rousseff-Michel Temer, campanha coordenada também por Padilha.

A declaração de Geddel consta de depoimento no dia 10 de abril, no inquérito da Odebrecht, que está no Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito mira Padilha e o ministro Moreira Franco (Minas e Energia) – e passou a investigar, desde março, o presidente Michel Temer.

blog obteve acesso ao depoimento. A PF pediu esclarecimentos a Geddel – que está preso – sobre o episódio envolvendo R$ 10 milhões da Odebrecht para o MDB em 2014 – uma negociação feita no Palácio do Jaburu.

Segundo o delator Lucio Funaro, R$ 1 milhão foi entregue no escritório de José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer, que teria como destino final o ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Ex-executivos da Odebrecht afirmam também aos investigadores que o dinheiro foi entregue a Eliseu Padilha, a pedido.

No depoimento à PF, Geddel afirmou que há uma “discrepância gritante” no relato de Funaro porque na época do episódio ele era oposição ao governo do PT. E que, por estar apoiando Aecio Neves (PSDB), ele não seria convidado para eventos da natureza do jantar no Jaburu.

“Portanto, não faria sentido Eliseu Padilha abastecer financeiramente a campanha do declarante, pois estaria municiando um adversário eleitoral naquele ano de 2014”, diz o depoimento.

Geddel confirmou no depoimento conhecer Funaro, mas disse que conheceu o doleiro em 2012 por conta do agravamento da doença de seu pai, que faleceu no ano passado.

Segundo Geddel, Funaro, doleiro e operador do MDB, “se prontificou a ajudar o declarante, dando sua opinião sobre médicos e tratamentos”.

Geddel disse não se recordar de quem deu seu telefone a Funaro, mas afirmou que falou com muitas pessoas pedindo orientações sobre o tratamento de seu pai.

O ex-ministro afirmou que tomou conhecimento da amizade de Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha pela imprensa.

Ele disse que não mantinha relações de amizade com Cunha – só com Padilha e o presidente Temer.

Perguntado se pediu a Funaro para retirar R$ 1 milhão no escritório de Yunes em 2014, ele respondeu: “peremptoriamente, não”.

Prorrogação

A PF pediu ao STF a prorrogação do inquérito da Odebrecht por 60 dias. A decisão está nas mãos do ministro Fachin, relator do caso no STF.

blog também teve acesso ao pedido de prorrogação da PF.

Os investigadores querem mais tempo para analisar informações advindas de um laudo policial sobre as referências da Odebrecht a codinomes usados pela empreiteira para repasses de dinheiro.

Entre os codinomes, estão Angorá e Primo, usados para se referirem, segundo os delatores da empreiteira, a Padilha e Moreira Franco.

A PF também cobra no ofício que os ex-executivos da Odebrecht Claudio Melo Filho e José de Carvalho Filho forneçam os terminais telefônico que usavam em 2014, período da negociação dos R$ 10 milhões para o MDB.

Apesar do pedido, a PF ainda não recebeu os dados solicitados.

Por Andréia Sadi

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