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Miséria lembra os cinco anos de morte da eterna diretora da APAE de Juazeiro do Norte

Dona Zuila ao lado do seu já falecido esposo o comerciante Alberto Morais (Foto: Reprodução/Arquivo pessoal)
Em 22/05/2018 às 10:57
O Site Miséria lembra a passagem dos cinco anos da morte de Maria Zuila e Silva Moraes, que transcorre nesta terça-feira e como forma de homenagem póstuma. Ela era filha de Juazeiro do Norte, onde nasceu no dia 24 de junho de 1921 e morreu no dia 22 de maio de 2013 aos 92 anos de idade. Dona Zuila concluiu o Curso Normal na Escola Normal Rural de Juazeiro e casou-se no 21 de julho de 1940 com o comerciante Alberto Moraes, que foi proprietário do Armazém São Pedro.

O casal teve cinco filhos, sendo José Carlos e Silva Moraes o único homem e portador da Síndrome de Down quando foi iniciada a luta pela cura do mesmo com inúmeras viagens a Recife, Fortaleza e São Paulo. Ela soube que a única maneira de ajudá-lo seria através da Educação Especial o que não existia em Juazeiro. Foi daí que surgiu a preocupação com questões educacionais e fundou o Instituto Domingos Sávio, que funcionou durante um tempo em sua casa na Rua do Cruzeiro.

Ali estudaram suas quatro filhas e outros garotos de amigos da família introduzindo com pioneirismo no Cariri o estudo em escola para meninas e meninos juntos. O Instituto, criado oficialmente em julho de 1952, ganhou sua sede própria na Rua do Cruzeiro em terreno doado pela própria Dona Zuila se tornando, depois, o Colégio Menezes Pimentel, que ministrou ensino fundamental e médio. Além disso um pavilhão ensinando artes e o Lar Escola Helena Antipof dedicado às classes especiais.

O Instituto Domingos Sávio serviu de sede para vários Clubes de Mães também criados por Dona Zuila, mas, em 1957, ela mudou-se com os filhos para Fortaleza tendo matriculado José Carlos no Instituto Pestalozzi do Ceará, fundado e dirigido pela Professora Eunice Damasceno, pioneira na Educação Especial no Ceará. Permaneceu por dois anos, retornando a Juazeiro em fins de 1958, visto que o marido comerciante não pode acompanhar a família.

No ano seguinte, matriculou José Carlos no internato do Instituto de Ortofrenia de São Paulo para onde o mesmo foi acompanhado por uma das suas irmãs mais velhas. O jovem estudou por mais dois anos, porém sentiu o afastamento dos pais e irmãs retornando a Juazeiro sem a necessária Educação Especial. Foi quando Dona Zuila já com algum conhecimento adquirido abriu, numa casa de sua propriedade na Rua São Jorge, uma escolinha para crianças portadoras de deficiência.

O estabelecimento cresceu e, no ano de 1963, se mudou para um prédio alugado na Rua São José perto do Museu de Padre Cícero. Já no dia 15 de agosto de 1966 foi criado oficialmente, sob a orientação da professora Eunice Damasceno, o Instituto Psicopedagógico Eunice Damasceno (IPED). Era o embrião em nome de um espaço ideal e uma escola que pudesse desempenhar melhor suas funções até conhecer a primeira dama do Ceará, Dona Luisa Távora, esposa do Coronel Virgílio Távora.

Foi quando o sonho se tornou realidade e o então governador construiu o prédio que abrigaria o IPED inaugurado no dia 23 de dezembro de 1981 com o nome de Centro de Reabilitação do Cariri Luiz Morais Correia em área doada pela Diocese de Crato. Não demorou e se transformou na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais devidamente filiada à Federação Nacional das APAES. Ela presidiu a entidade até julho de 1995 quando passou a missão a outra mãe que acabara de ganhar um bebê com Síndrome de Down e quis abraçar a causa dos portadores de deficiência.


Por Demontier Tenório
Miséria.com.br

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