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Sumiço do Amarildo completa 5 anos e família ainda não foi indenizada

© Fernando Frazão/ Agência Brasil

Em 13/07/2018 às 17:50

família do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido desde o dia 14 de julho de 2013, ainda não foi indenizada pelo Estado do Rio de Janeiro. A Justiça determinou que seja pago R$ 3,5 milhões aos familiares do pedreiro, mas o caso se arrasta por cinco anos.

Segundo a polícia, Amarildo foi levado para a UPP da Rocinha para prestar esclarecimentos, mas não voltou para a casa. Uma série de protestos questionando o paradeiro dele foi realizado pelo país.

Consultada pelo G1, a viúva de Amarildo, Elisabete da Silva, de 53 anos, disse que o caso “acabou com a família inteira” e manifestou preocupação com a soltura de alguns policiais condenados por participação no crime.

“Não acabou só com o Amarildo, acabou com a família inteira. Tiveram os fatos de torturar, sumir com o corpo, a gente não teve como enterrar os restos mortais do meu marido. Meu marido foi morto brutalmente. Ninguém aceita um negócio desses, a gente perdeu, e eles estão na rua, já vão ser soltos. A gente está com as mãos atadas, sem saber o porquê.”

A Justiça condenou 13 policiais militares por envolvimento no crime em 2016. Eles foram acusados de tortura seguida de morte, ocultação de cadáver e fraude processual. Um deles já havia morrido quando saiu a sentença.

De acordo com o advogado da família, João Tancredo, a sentença indenizatória contra o Estado do Rio já foi proferida, mas está em fase de recursos.

“Temos a ação de indenização. A sentença foi dada, proferida em tempo adequado. Foram ouvidas diversas testemunhas, foi julgada procedente. A condenação foi de pagar a cada um individualmente por danos morais pelo sofrimento, pela perda”, contou Tancredo. “O estado desaparece, tortura e mata o Amarildo e depois aniquila a família não pagando, não fazendo o processo andar, não prestando justiça no tempo hábil. Isso também é uma grande perversidade”, completou.

Procurado pelo site, o Estado ainda não se pronunciou sobre o caso.

De acordo com Tancredo, mesmo após um policial que teria participado do episódio confessar as torturas contra Amarildo, a defesa do Estado do Rio afirma que o pedreiro foi liberado pelo agentes após prestar esclarecimentos.

“As defesas que o Estado apresenta sempre dizem que o Amarildo foi até o contêiner da UPP, foi levado até lá para uma investigação e foi liberado imediatamente depois. As provas feitas foi que o Amarildo foi torturado e ele era epilético. Não resistiu a essa tortura. Ele foi retirado dentro de uma capa de uma motocicleta e desapareceram com o corpo e nunca mais foi visto. Isso foram testemunhas, que estavam dentro do contêiner, que contaram, alguns policiais.”

Situação dos PMs condenados

– Major Edson Raimundo dos Santos: cumpre pena em regime semiaberto em unidade da PM;

– Tenente Luiz Felipe de Medeiros: cumpre pena em unidade da PM;

– Soldado Felipe Maia Queiroz Moura: excluído da corporação, aguarda julgamento em liberdade;

– Soldado Rachel de Souza Peixoto: excluída da corporação, aguarda julgamento em liberdade;

– Soldado Thaís Rodrigues Gusmão: excluída da corporação, aguarda julgamento em liberdade;

– Soldado Marlon Campos Reis: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Douglas Roberto Vital Machado: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Jorge Luiz Gonçalves Coelho: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Jairo da Conceição Ribas: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Anderson César Soares Maia: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Wellington Tavares da Silva: excluído da corporação, cumpre pena em unidade prisional do Estado;

– Soldado Fábio Brasil da Rocha da Graça: excluído da corporação; cumpre pena em unidade prisional do Estado.

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