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Fiéis de Milhã montam o maior tapete do Ceará

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O percurso, de quase um quilômetro, é feito sobre o tapete ornamental, com símbolos católicos e imagens sacras. A maioria dos quadros colocados sobre o asfalto é feita em tecido pintado (Foto: Honório Barbosa/Diário do Nordeste)

Os católicos celebraram, ontem, a solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, presentes na Eucaristia (hóstia consagrada), em latim, a festa de “Corpus Christi”. Nesta cidade, no sertão central, impulsionados pela fé, centenas de voluntários montaram, na madrugada, o maior tapete do Ceará, com 314 peças confeccionadas em tecidos, com pó de serragem e casca de ovo.

No início da noite desta quinta-feira, o pároco, Ernandir Ferreira, da Paróquia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, após celebrar missa solene, na Igreja Matriz, deu início à procissão de “Corpus Christi”, sobre os tapetes, conduzindo o ostensório e seguido por milhares de fiéis, em uma caminhada animada por orações e cânticos.

Mistério da Eucaristia

“Na Eucaristia se comunica o amor de Deus por nós”, pontuou o sacerdote. “É um amor infinito, que nos alimenta, nos dá força e reafirma a nossa fé na presença do corpo e do sangue de Cristo”. Para os cristãos, católicos, a festa religiosa tem por base o mistério da Eucaristia, que é o próprio corpo de Cristo.

A fé impulsiona um grupo de voluntários a confeccionar, de modo artesanal, o maior tapete do Ceará para passagem da procissão. Estudantes, servidores públicos, integrantes de pastorais, de movimentos nas comunidades rurais se organizam, planejam e, durante 30 dias, preparam com carinho e esmero as peças que vão formar o imenso tapete. Em sua maioria, os jovens que participam do serviço.

O percurso, de quase um quilômetro, é feito sobre o tapete ornamental, com símbolos católicos e imagens sacras. Neste ano, foram mais de 300 peças. Em 2016, foram 220. A maioria dos quadros colocados sobre o asfalto é feita em tecido pintado. “Preferimos fazer assim por causa da chuva, que pode destruir o nosso trabalho”, disse Josimar Menezes, do Encontro de Casais com Cristo (ECC). O trabalho voluntário é feito com um mês de antecedência.

A procissão seguiu até a Igreja velha, no Centro, onde foi dada a bênção do Santíssimo Sacramento, no altar. É o momento alto da celebração, que envolve a fé dos católicos na presença do corpo de Cristo, na hóstia consagrada (Jesus Eucarístico).

A instituição da Eucaristia ocorre na Quinta-Feira da Semana Santa, mas, por ser um período de intensa programação, a Igreja Católica resolveu transferir as celebrações do mistério ou dogma de fé da presença do corpo e sangue de Jesus Cristo para uma data própria, especial, denominada de “Corpus Christi”.

O padre Ernandir observou que a presença de Jesus na hóstia é um alimento espiritual para aquele que crê, mas que deve ter como consequência o serviço ao próximo: a caridade e a fraternidade. “Não adianta comungar, receber Jesus, e dar as costas para o próximo, para os seus problemas, pois, se assim agir, o cristão católico não tem sentido”.

Trabalho voluntário

O grupo de voluntários começou a montar o extenso tapete na noite de quarta-feira e se estendeu até a manhã de ontem. “Durante o dia, o sol e o calor impedem o serviço, por isso a gente monta as peças durante a madrugada”, explicou a voluntária Ana Cláudia Alves.

Em 2015, uma forte chuva destruiu todo o trabalho, mas nos últimos dois anos, não ocorreu esse tipo de surpresa. “A gente faz os tapetes com muito carinho e dedicação”, disse a moradora Francisca Alves. A dona de casa Elisa Pinheiro pontuou: “É um serviço feito com muito amor e carinho”.

Desde o ano passado que algumas peças são feitas em tecido para evitar que a chuva possa estragar todo o trabalho. Há dez anos que um grupo de voluntários começou a confeccionar o tapete para a procissão de Corpus Christi, por incentivo do então pároco, João Teixeira. A ideia permanece. “No próximo ano, vamos unir uma igreja à outra”, frisou o padre Ernandir Ferreira. “Será um tapete ainda maior!”. O bispo da Diocese de Iguatu, dom Édson de Castro Homem, visitou, na manhã de ontem, a cidade, com o objetivo de conhecer os tapetes, que neste ano também receberam desenhos sob a inspiração da Campanha da Fraternidade, que tratou dos biomas brasileiros.

A festa, que é celebrada em todas as paróquias num clima de alegria e de emoção. “Essa é a nossa fé e a nossa motivação”, disse a aposentada Francisca Oliveira. A festa na Igreja Católica começou no século XIII, como forma de dar visibilidade ao dogma da presença do corpo de Cristo na eucaristia.

A cidade de Milhã participa de forma coletiva do esforço voluntário. As ruas ficam interditadas para o tráfego. Os comerciantes fecham as suas lojas. No decorrer da manhã e da tarde, um pouco antes da procissão, observa-se dezenas de pessoas dando os últimos retoques, fazendo consertos, arrumando algumas peças, mesmo que instantes depois, tudo seja destruído pelos passos dos peregrinos. “A gente faz para agradar a Deus e isso nos torna felizes”, disse a estudante, Luíza Soares.

A Paróquia de Milhã integra a Diocese de Iguatu. No fim da tarde de ontem, o bispo dom Édson de Castro Homem presidiu missa, na Catedral de São José, em Iguatu, com fiéis e padres de quatro paróquias. Em seguida, houve procissão até a Igreja Matriz de Senhora Sant´Ana, com a condução do ostensório. Em um altar ao lado da igreja, houve a bênção do Santíssimo Sacramento.

Fonte: Diário do Nordeste

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